sexta-feira, 8 de abril de 2011

Coincidência? Golpe de sorte?



Neste último dia 06 de abril, quarta-feira, o senador Aécio Neves fez um discurso no Plenário onde deixou evidentes sua críticas aos Governos Lula e Dilma.
Em suas palavras, pronunciadas por 22 minutos, o senador negou o progresso alcançado por Lula e sua continuação com Dilma.
Segundo Aécio:

"Ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, o país não nasceu ontem. Ele é fruto dos erros e acertos de várias gerações de brasileiros, de diferentes governos e líderes e também de diversas circunstâncias históricas e econômicas."


Terá sido, então, coincidência que o Brasil tenha dado tamanho salto justamente durante os dois mandatos de Lula?
Terá sido golpe de sorte?
Tal afirmação me parece demasiadamente simplista.
E ingrata.

Nunca a indústria cresceu tanto.
Nunca foram criados tantos empregos formais.
Nunca tantos cidadãos tiveram seu padrão de vida elevado.
Nunca foram construídas tantas Universidades Federais.

Então, Lula resolveu todos os problemas do Brasil?
Não. Claro que não.
Temos muitos problemas por aqui ainda.
A Educação e a Saúde, na minha opinião, são os mais graves.
E ainda considero a Educação o maior de todos.
Contudo, somos uma Nação que cresce e se desenvolve a olhos vistos.
O mundo reconhece isto.
Apenas aqui este reconhecimento não acontece.
Por uma minoria.
Uma minoria que vê os muros de seus feudos ameaçados pelo crescimento do poder aquisitivo dos mais pobres.
Uma minoria que tem, como um de seus representantes mais fervorosos, o senador Aécio Neves.
Uma minoria que queria eleger José Serra.
Uma minoria que, como dizia Raymundo Faoro, "quer um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo".

Fomos colonizados em troca do esvaziamento de nossas riquezas naturais que, de tantas, existem em abundância até hoje.
Desta cultura de capitanias hereditárias, surgiu a nossa República.
Que continuou a pertencer a poucos.
Foi Lula que, saído do Povo, olhou de verdade para o Povo.
E é Dilma, que lutou contra a ditadura, quem vai levar o desenvolvimento adiante.

Desculpe-me, senador Aécio Neves, mas, contra os fatos, não há argumentos.





quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Desserviço da Sociedade



A revista Veja deu sua contribuição para que tragédias como a que aconteceu hoje, em Realengo, sejam uma ameaça iminente a todos nós.

Na edição n° 1925, que saiu dia 05 de outubro de 2005, a revista Veja trouxe em sua capa: "Referendo das armas: 7 razões para votar NÃO - A proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos".

Em meu post anterior, quando me referi ao papel da imprensa na conscientização da população, quis dizer exatamente o oposto do que fez a Veja num momento que poderia ter sido positivamente decisivo para os cidadãos brasileiros.
A pergunta do referendo era a seguinte:
"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Segundo a revista Veja e a maioria da população - orientada por reportagens publicadas como a citada anteriormente - NÃO.
A matéria, inclusive, sugeria uma reformulação para a pergunta: "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?" - o que, provavelmente, ganhou uma conotação de censura, de cerceamento do livre arbítrio de pessoas como Wellington Menezes de Oliveira.

O povo teve nas mãos a possibilidade de se defender de forma democrática e consciente.
Contudo, prevaleceu a lei do "olho por olho, dente por dente".
Eu nunca ouvi um caso entre cidadãos comuns, em que armas de fogo estivessem envolvidas, e o resultado tenha sido positivo.
Ao contrário, não nos faltam exemplos de acidentes com armas entre crianças brincando, adolescentes inconsequentes e disparos acidentais enquanto um adulto fazia sua limpeza.
A ideia de que alguém está seguro tendo uma arma de fogo em sua posse é um engano.
O perigo se potencializa.
A ideia de que os cidadãos devem se armar para combater a bandidagem é absurda.
A polícia existe para isso.
Sem a venda de armas, o combate ao seu contrabando poderia ser mais eficiente.
No entanto, de que adianta combater o tráfico de armas, se elas são vendidas em lojas?

O desserviço prestado pela revista Veja resume bem o papel da "imprensa" no processo de informação e formação de opinião.

A tragédia de hoje deve nos fazer pensar.
O assassino de hoje está morto.
Quantos potenciais assassinos estão vivos, com suas armas guardadas em casa?

E o que é pior: legalmente.

http://veja.abril.com.br/051005/p_076.html

Em nome de Deus



Triste demais para dizer qualquer coisa.
Assustador demais para tentar entender.

O que aconteceu, esta manhã, numa escola em Realengo, foge à minha capacidade de compreensão.
Estou "acostumada" a ouvir notícias deste tipo vindas de outros países - dos Estados Unidos, na maioria das vezes.
Aqui no Brasil, tão "acostumado" às balas perdidas, aos roubos, aos sequestros, massacres protagonizados por franco-atiradores não costumam ser notícia.
Hoje, foi diferente.
Hoje, um rapaz matou, aleatoriamente, 11 jovens e feriu outros 13.
Um bilhete deixado pelo assassino tem claras influências fanático-religiosas.
Ela menciona "pessoas impuras", "adultério", "Jesus" e "perdão".
Em seu texto, considera-se "casto e puro" e deve ser "banhado e envolto num lençol branco" em seu sepultamento.
O banho de sangue justifica-se em sua "inocente" alma lavada.
O fanatismo religioso apregoa a intolerância e justifica barbáries em nome de Deus.
O preconceito e a discriminação são suas bases sustentadoras.
Pecado é a palavra de ordem.

Há que se ter cuidado com o que se diz.
Há que se pensar antes de falar.
Há de se considerar as diferenças - e as igualdades - entre os homens antes de elevar a voz num discurso segregador.

A intolerância vem ganhando força entre nós.
Tratada como assunto "menor", pode resultar em tragédias como a de hoje em Realengo.

Não falam tanto em nome de Deus?
Onde se encaixa o mandamento "Amar ao próximo como a nós mesmos"?
E "Não usar o santo nome de Deus em vão"?
A Bíblia tem suas mensagens distorcidas e mal compreendidas.

Em nome de Deus, há séculos, homens justificam suas guerras.
Em nome de Deus, inocentes foram mortos.
Em nome de Deus, continua se pregando o ódio, a intolerância, o preconceito.

Agora, é tarde para as crianças mortas em Realengo.
Mas, para um futuro melhor, sempre é tempo.



terça-feira, 5 de abril de 2011

As certezas do caminho



Muitas dúvidas giravam em torno da candidata Dilma Rousseff.
Afinal de contas, quem era ela?
Qual sua história?
Uma palavra muito em voga nas eleições passadas, que parecia definir os candidatos nas categorias confiável e não-confiável: biografia.
Qual era a dela?
Guerillheira? Terrorista? Assassina? Subversiva?
Outras definições sobre sua pessoa surgiram de forma brilhante: "boneca de ventríloquo", "poste do Lula", "fantoche", e por aí vai.
Mas, como diz a canção: "Nada como um dia após o outro".
Dilma tem mostrado de maneira segura e cautelosa a que veio.
Veio dar continuidade ao que Lula começou.
Sim.
Mas do jeito dela.
Dilma sempre foi administradora.
Nunca foi política.
Por isso tanta desconfiança.
E, justamente por isso, mais motivo para confiarmos nela.
Não é mulher de conchavos. De toma lá da cá.
É de soluções.
Com discrição, trabalha diuturnamente em prol de construir um Brasil cada vez melhor.
Lula, com sua personalidade expansiva, foi fundamental para a guinada rumo à mudança.
Era mesmo necessário um líder sindical, acostumado a gritar sem microfone em pátios lotados, para impôr-se como Chefe de Estado capaz de garantir o estofo que tantas transformações necessitavam.
O barulho de Lula era fundamental para que a voz do Brasil fosse ouvida - e assimilada - pelos ouvidos do "estrangeiro".
E, como ele mesmo disse durante a campanha, Dilma estava mais preparada para seguir mudando.
Dilma é estrategista, sabe como mover as peças no tabuleiro do jogo de xadrez.
Sabe como e quando agir.
Tem segurança.
Tem cacife.

Quem é Dilma Rousseff?
Olhe à sua volta.
As respostas estão por todos os lados.
Dilma é a certeza de que o Brasil caminha no rumo certo.

Xeque-mate!


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quando o futuro do pretérito torna-se presente


Quem poderia imaginar que, um dia, o Brasil teria papel de peso numa eleição para presidente dos Estados Unidos?
Quem diria que um candidato - a reeleição - usaria as negociações com o Brasil como um diferencial em sua campanha?
Quem diria que o Brasil cresceria em 8 anos o que não cresceu em 500?
Quem diria que o Brasil teria possibilidades reais de erradicar a miséria a curto prazo?*
Quem diria que um operário seria mundialmente reconhecido como o melhor Presidente da História do Brasil?
Quem diria que, em 2011, teríamos uma mulher na Presidência?
Quem diria que nos tornaríamos uma potência mundialmente reconhecida e respeitada?
Quem diria que o Brasil é, de fato, o país do futuro?

Pois é.

*segundo estudos realizados pelo Ipea

Tecnologicamente rudimentar



Outro dia, observei por uns vinte minutos um rapaz que colocava pedras portuguesas na calçada.
Fazia calor. Um sol de rachar.
Ele, se equilibrando agachado - ora depositando seu peso sobre a perna esquerda, ora sobre a direita - ia cuidadosamente montando aquele quebra-cabeça com tanta agilidade que me entreteve por um longo espaço de tempo.
A rua estava movimentada.
Pessoas apressadas passavam por ele sem se darem conta do que acontecia ali.
Sequer o notavam.
E ele lá. Incansável.
Exercendo seu trabalho habilidosamente.
Peguei-me pensando em como o mundo evolui tão rapidamente e, ainda assim, assistia àquela atividade tão arcaica.
Por outro lado, senti um alento no peito ao constatar que, mesmo numa era de robôs quase humanos, o homem é insubstituível.
As máquinas podem cada vez mais.
Mas, nós, humanos, podemos tudo.

domingo, 3 de abril de 2011

Muito prazer, Presidente!



Completados 47 anos do Golpe Militar de 1964, percebi uma lacuna na minha vida escolar.
Sempre me considerei boa aluna de História. Sempre gostei da matéria.
Mas a História que me ensinaram não é exatamente a História que conheço agora.
Pesquisando para escrever aqui algo que fosse relevante em um dia tão marcado como 31 de março, deparei-me com um personagem até familiar, mas desconhecido.
Minha surpresa ao conhecê-lo de fato foi tão grande que decidi escrever sobre ele: Jango.
João Goulart foi um herói nacional.
João Goulart não teve seu verdadeiro valor reconhecido pela História.
Aliás, reformulando, só a História o reconhece. Nosso sistema educacional é que falhou no momento de falar dele para nós.
Foi o primeiro Presidente do Brasil a pensar no povo como parte integrante do país.
Homem rico, não precisava da política como "meio de vida".
Enveredou-se por ela por convicção. E vocação.
Assinou um decreto autorizando a reforma agrária. Assunto que ainda é tabu até os dias atuais.
Por este decreto, foi deposto.
Foi exilado.
Morreu sem voltar a pisar na terra que tanto amava.
Sua morte ainda não foi de todo esclarecida.
Fortes indícios levam à desconfiança de assassinato.
Destino cruel demais para um homem que olhou para o povo de seu país com olhos Humanos.
Um homem que não se rendeu à elite.
Um homem que não se rendeu ao jugo dos militares.

Um herói tratado como coadjuvante de sua própria História.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um aniversário que não se comemora


Em 13 de março de 1964, o Presidente João Goulart discursou para cerca de 150 mil pessoas, em frente à Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em seu discurso, Jango defendeu a reforma da Constituição, que garantiria o direito de voto aos analfabetos, criticava seus opositores, aos quais dizia usarem "máscaras de democratas", que, com interesses escusos, estariam a favor de grandes companhias, contra o povo e as reformas de base propostas em seu governo.
Anunciou que assinara um decreto encampando refinarias privadas de petróleo e outro autorizando a desapropriação de terras ao longo de ferrovias e rodovias federais.
Jango defendia a reforma agrária, a reforma educacional, a reforma eleitoral, a reforma urbana e a reforma tributária.
Por seus opositores, encabeçados pelo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, foi chamado de subversivo.
Os decretos assinados por João Goulart, recebidos ferozmente pelos conservadores, contribuíram para sua queda logo em seguida.
Devidamente revogados, os dois decretos foram a "sentença de morte" do Presidente Jango.
Em 31 de março de 1964, os militares decretaram o fim do Governo Civil e o início do Regime Militar, que mergulhou o Brasil nas mais profundas trevas por longos 21 anos.
Jango foi exilado e faleceu em 1976 em circunstâncias ainda suspeitas.
Nunca mais pisou no país que tanto amava.