Como deve ser difícil governar um país na base do toma-lá-dá-cá...
Mantive-me avessa à política por muitos anos, pois me enojava perceber o jogo de interesses. Pessoais. Não coletivos.
Ao começar a me aprofundar nas questões e embates políticos, percebi que não se pode colocar todos num saco e classificar do mesmo modo.
Como em todos os setores da vida, existe o joio e o trigo. E é preciso identificá-los e separá-los.
Temos muitos bons políticos. E políticos bons também.
Somos uma terra promissora - sempre fomos, na verdade. Mas carregamos, ainda, o ranço de uma colonização infeliz, de um povo que sempre nos viu como cifras e dividendos.
Da nova colônia, apenas tiraram, usurparam sem dó, feroz e sofregamente.
E, dentro deste "espírito" fomos "colonizados".
E, desta forma, aprendemos a lidar com nossas riquezas: humanas ou materiais.
Viva a "lei do jeitinho"!
Viva o mundo dos espertos!
"Se fulano se deu bem, posso me dar também." Esta é a filosofia de vida de boa parte de nós brasileiros.
E o pior é a hipocrisia daqueles que enchem o peito para bradar contra "a roubalheira em Brasília", mas que oferecem um "cafezinho" pro seu guarda ao serem parados na blitz da Lei Seca.
E assim se vive por aqui. Boa parte enaltece o "primeiro mundo" como se a corrupção fosse privilégio nosso.
O brasileiro parece sentir prazer em menosprezar a si próprio. Mas cada um não se inclui nos desaforos. São só os outros.
Valorizemos o que é de fora.
Vamos ao estrangeiro fazer compras.
Os produtos made in China que se vendem em Nova York são melhores que os encontramos por aqui.
Vinho nacional? Deus me livre! Do Chile é muito melhor!
Cerveja nacional? Cruzes! Pra mim, só da holandesa!
Cultivemos o olhar depreciativo sobre nós mesmos!
Cultuemos os outros povos! São melhores que nós mesmo!
O Brasil? Não tem jeito... Não cresce, não desenvolve. É tupiniquim!
Este é o nosso auto-retrato. Não somos mais vistos assim. É assim que nos vemos.
Nos Estados Unidos, as universidades estão ensinando a Língua Portuguesa.
Há nove anos atrás, os americanos pensavam que nossa capital era Buenos Aires e que nosso idioma era o espanhol.
Hoje, estão aprendendo a nossa língua.
Hoje, muitos brasileiros estão na mão inversa do êxodo.
Hoje, os estrangeiros é tomam o rumo do Brasil.
Hoje, nós é que somos o futuro.
Quando é que vamos nos aperceber disso?
