O que dizer diante de tanto preconceito?
O que dizer de alguém tão retrógrado e reacionário?
O que dizer de alguém tão obtuso?
O que dizer?
A mim, a perplexidade diante de tantos absurdos é tamanha, que quase me faltam palavras.
Assistir a um homem público, um deputado federal, como Jair Bolsonaro, na tv, em rede nacional, propagar palavras de ódio, discriminação e retrocesso evolutivo, é tão chocante que beira o inacreditável.
Um homem - se é que aqui se aplica este substantivo - que não se intimida ou sequer se inibe em escancarar, seja para a audiência que for, sua mente doente e contaminada de preconceito e agressividade.
É, de fato, terrível pensar que estamos "nas mãos" de sujeitos como este.
Do tipo maçã podre que contamina as outras sadias do cesto.
Contudo, pior do que ele, na minha opinião, são os eleitores que, há anos, vêm renovando o mandato de alguém que não acrescenta absolutamente nada de positivo ao Brasil.
Um homem que enaltece a ditadura e seus expoentes, como Médici e Geisel.
Neste momento, em que parece ter perdido as estribeiras de vez, Bolsonaro tem sido manchete nos programas de tv e em sites da internet e objeto de repúdio e petições de cassação.
Mas, o problema é mais profundo.
Este homem não se elegeu sozinho.
Pelo contrário, há anos, vem tendo o apoio de pessoas que pensam como ele e se vêem representadas em sua pessoa - mais uma vez, difícil usar este substantivo.
O momento é de não nos deixarmos tomar pelo ímpeto da vingança e expulsá-lo do Congresso simplesmente.
É preciso um amplo debate entre a sociedade para que o respeito e a tolerância subjuguem o preconceito.
Obviamente, não o considero apto a ocupar um cargo público, qualquer que seja. Mas, cassar seu mandato não resolverá a questão.
"Olho por olho, dente por dente" não é a solução. Nunca foi.
É difícil propor uma resposta, principalmente, que seja definitiva.
Acho que a imprensa tem papel fundamental neste debate, desde que aponte os erros de forma responsável e imparcial, não banalizando os fatos ou transformando as situações em chacota.
Acredito, também, que projetos de lei que transformem em crime qualquer tipo de discriminação engrossarão o coro contra pessoas como Bolsonaro, que se sentem à vontade para dizer atrocidades a quem quer que seja sem medo de retaliações.
O reconhecimento legal dos homossexuais, assim como as mulheres e os negros já foram reconhecidos, também agirão como fator decisivo em seu posicionamento perante a sociedade.
Tudo isso discutido à parte da religião ou dos "bons costumes".
O moralismo, aqui, age somente como mais um fator segregador.
Constitucionalmente, todos os homens - leia-se, aqui, seres humanos -, sem distinção de raça, gênero, credo, classe social - ou qualquer outro fator que nos distinga em grupos - são iguais perante a Lei.
Muito me admira que alguém que se diz tão cumpridor dos princípios morais, como Bolsonaro, desconheça princípios básicos da Constituição Brasileira:
De fato, um deputado federal que desconhece ou ignora os princípios constitucionais, não merece ocupar uma cadeira no Congresso.
Não merece entitular-se "representante do povo".
E, aos que o elegeram, cabe rever seus conceitos, fazer uma análise de consciência - se é que sabem o que isso significa - e colocarem-se em pé de igualdade com os que julgam inferiores.
Mais uma vez, falo aqui embasada pela Lei, pela Constituição.
Crenças e preceitos religiosos ou morais são outros quinhentos...






