quarta-feira, 30 de março de 2011

Um adendo imprescindível.



Não poderia falar de Lula sem comentar a respeito de sua não presença no almoço oferecido ao presidente americano Barack Obama.
Definitivamente, a ausência de Lula foi a presença mais marcante no encontro.
Muito se especulou a respeito.
Muita asneira se disse.
Houve quem comentasse: "Ele não foi pra não ofuscar a Dilma.".
Que ridículo!
Outros disseram: "Ele não foi porque tem ciúme do destaque que a imprensa* tem dado a Dilma.".
Alguns consideraram desmesura: "Nada surpreendente em se tratando de Lula.".
A mim, a explicação mais plausível é: C-A-R-Á-T-E-R.

Segundo o jornalista Luiz Nassif, no blog Brasilianas.org, durante a visita da secretária de estado, Hillary Clinton, ao Brasil, enquanto Lula era Presidente, um diplomata afirmou ao então Ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, que Obama só visitaria o Brasil, após Lula deixar o cargo.

E assim o fez.

Uma lacuna, ainda, é a omissão do presidente americano com relação à intermediação feita por Brasil e Turquia, negociada por Lula, junto ao presidente iraniano, Ahmadnejad, com relação ao programa nuclear do Irã.
O Brasil propôs um acordo e assumiu a frente das negociações, sobre a qual, Estados Unidos e aliados passaram por cima como um rolo compressor - o que, aliás, é de costume.

Por tudo isso, acredito eu, Lula não compareceu àquele almoço.
Por vaidade, como muitos esbravejaram?
Não. Ele é maior que a vaidade.
Por integridade.

Somente um homem de caráter e com princípios muito bem fundamentados é capaz de sobrepor sua integridade à vaidade.

*leia-se PIG

Reconhecimento mais que merecido



Apesar de saber o quão delicado é o assunto política, como criei aqui um espaço democrático e irrestrito, considero importante "pisar nesse chão devagarinho".
Fui avessa à política por longos anos.
Pensei que sempre seria.
Até o dia em que, num click - isso mesmo, no espaço de um suspiro -, compreendi que pode ser bom ler, conversar e pensar sobre política.
Como em todo setor, existem aqueles dos quais nos orgulhamos e aqueles dos quais nos envergonhamos.
Meu problema é que, mantendo-me voluntariamente alheia, nunca separei o joio do trigo.
Enfim, comecei a mudar.
E foi muito bom!
Melhor ainda, foi acordar em tempo de perceber o quanto meu homenageado de hoje fez por nós, brasileiros.
Antes de prosseguir, deixem-me apresentá-lo: Luiz Inácio Lula da Silva.
O operário que virou Presidente.
O homem do povo que mudou a vida do povo.
Um homem que fez mais pelo Brasil em oito anos do que todos os outros fizeram em quinhentos.
Tão respeitado mundo afora e tão massacrado em sua pátria - por uma minoria barulhenta.
Lula devolveu ao povo brasileiro o direito de sonhar, pois os sonhos, agora, podem se realizar.
Lá em Portugal - país que, na minha opinião, fez muito pouco por nós - está ele, acompanhado de sua sucessora e herdeira - outra grande figura - Dilma Rousseff, para receber duas honrarias: um prêmio por defender a democracia e o título de doutor honoris causa.
Sim. Ele mesmo. O retirante, torneiro mecânico, pobre, sem curso universitário.
Ele mesmo. Um Silva. Mais um. Dentre tantos.
Aquele que emergiu da miséria e da dificuldade de ser um cidadão pobre brasileiro.
E lutou.
Lutou.
E venceu.
Vencemos!
Obrigada, Lula!