segunda-feira, 4 de julho de 2011



Como deve ser difícil governar um país na base do toma-lá-dá-cá...
Mantive-me avessa à política por muitos anos, pois me enojava perceber o jogo de interesses. Pessoais. Não coletivos.
Ao começar a me aprofundar nas questões e embates políticos, percebi que não se pode colocar todos num saco e classificar do mesmo modo.
Como em todos os setores da vida, existe o joio e o trigo. E é preciso identificá-los e separá-los.
Temos muitos bons políticos. E políticos bons também.
Somos uma terra promissora - sempre fomos, na verdade. Mas carregamos, ainda, o ranço de uma colonização infeliz, de um povo que sempre nos viu como cifras e dividendos.
Da nova colônia, apenas tiraram, usurparam sem dó, feroz e sofregamente.
E, dentro deste "espírito" fomos "colonizados".
E, desta forma, aprendemos a lidar com nossas riquezas: humanas ou materiais.
Viva a "lei do jeitinho"!
Viva o mundo dos espertos!
"Se fulano se deu bem, posso me dar também." Esta é a filosofia de vida de boa parte de nós brasileiros.
E o pior é a hipocrisia daqueles que enchem o peito para bradar contra "a roubalheira em Brasília", mas que oferecem um "cafezinho" pro seu guarda ao serem parados na blitz da Lei Seca.
E assim se vive por aqui. Boa parte enaltece o "primeiro mundo" como se a corrupção fosse privilégio nosso.
O brasileiro parece sentir prazer em menosprezar a si próprio. Mas cada um não se inclui nos desaforos. São só os outros.
Valorizemos o que é de fora.
Vamos ao estrangeiro fazer compras.
Os produtos made in China que se vendem em Nova York são melhores que os encontramos por aqui.
Vinho nacional? Deus me livre! Do Chile é muito melhor!
Cerveja nacional? Cruzes! Pra mim, só da holandesa!
Cultivemos o olhar depreciativo sobre nós mesmos!
Cultuemos os outros povos! São melhores que nós mesmo!
O Brasil? Não tem jeito... Não cresce, não desenvolve. É tupiniquim!

Este é o nosso auto-retrato. Não somos mais vistos assim. É assim que nos vemos.
Nos Estados Unidos, as universidades estão ensinando a Língua Portuguesa.
Há nove anos atrás, os americanos pensavam que nossa capital era Buenos Aires e que nosso idioma era o espanhol.
Hoje, estão aprendendo a nossa língua.
Hoje, muitos brasileiros estão na mão inversa do êxodo.
Hoje, os estrangeiros é tomam o rumo do Brasil.
Hoje, nós é que somos o futuro.

Quando é que vamos nos aperceber disso?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Que se rompa o silêncio



Após uma longa pausa - longa demais, eu diria...- volto a escrever.
Porque senti falta.
Porque preciso exercitar meus pensamentos e minhas palavras.

Tantas coisas assustadoras e maravilhosas aconteceram durante meu silêncio que não saberia por onde começar.
Escrever sobre os fatos é complicado por isso. A cada dia, cada vez mais, somos soterrados por avalanches deles.
É este o preço da globalização. A velocidade dos acontecimentos iguala-se à velocidade mesma com que acontecem.

Sessenta e um dias de hiato formaram um verdadeiro abismo entre minhas últimas palavras e as que escrevo agora.
Três meses de uma lacuna colossal.

E, aqui estou, divagando sobre o nada por ter uma confusão de ideias na cabeça.

Elucubrações são boas para se retomar o traçado das letras.
"Brainstorm" como diriam os gringos...

Reconheço que este post ficou um tanto subjetivo demais.

Mas, é um recomeço...




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Coincidência? Golpe de sorte?



Neste último dia 06 de abril, quarta-feira, o senador Aécio Neves fez um discurso no Plenário onde deixou evidentes sua críticas aos Governos Lula e Dilma.
Em suas palavras, pronunciadas por 22 minutos, o senador negou o progresso alcançado por Lula e sua continuação com Dilma.
Segundo Aécio:

"Ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, o país não nasceu ontem. Ele é fruto dos erros e acertos de várias gerações de brasileiros, de diferentes governos e líderes e também de diversas circunstâncias históricas e econômicas."


Terá sido, então, coincidência que o Brasil tenha dado tamanho salto justamente durante os dois mandatos de Lula?
Terá sido golpe de sorte?
Tal afirmação me parece demasiadamente simplista.
E ingrata.

Nunca a indústria cresceu tanto.
Nunca foram criados tantos empregos formais.
Nunca tantos cidadãos tiveram seu padrão de vida elevado.
Nunca foram construídas tantas Universidades Federais.

Então, Lula resolveu todos os problemas do Brasil?
Não. Claro que não.
Temos muitos problemas por aqui ainda.
A Educação e a Saúde, na minha opinião, são os mais graves.
E ainda considero a Educação o maior de todos.
Contudo, somos uma Nação que cresce e se desenvolve a olhos vistos.
O mundo reconhece isto.
Apenas aqui este reconhecimento não acontece.
Por uma minoria.
Uma minoria que vê os muros de seus feudos ameaçados pelo crescimento do poder aquisitivo dos mais pobres.
Uma minoria que tem, como um de seus representantes mais fervorosos, o senador Aécio Neves.
Uma minoria que queria eleger José Serra.
Uma minoria que, como dizia Raymundo Faoro, "quer um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo".

Fomos colonizados em troca do esvaziamento de nossas riquezas naturais que, de tantas, existem em abundância até hoje.
Desta cultura de capitanias hereditárias, surgiu a nossa República.
Que continuou a pertencer a poucos.
Foi Lula que, saído do Povo, olhou de verdade para o Povo.
E é Dilma, que lutou contra a ditadura, quem vai levar o desenvolvimento adiante.

Desculpe-me, senador Aécio Neves, mas, contra os fatos, não há argumentos.





quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Desserviço da Sociedade



A revista Veja deu sua contribuição para que tragédias como a que aconteceu hoje, em Realengo, sejam uma ameaça iminente a todos nós.

Na edição n° 1925, que saiu dia 05 de outubro de 2005, a revista Veja trouxe em sua capa: "Referendo das armas: 7 razões para votar NÃO - A proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos".

Em meu post anterior, quando me referi ao papel da imprensa na conscientização da população, quis dizer exatamente o oposto do que fez a Veja num momento que poderia ter sido positivamente decisivo para os cidadãos brasileiros.
A pergunta do referendo era a seguinte:
"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Segundo a revista Veja e a maioria da população - orientada por reportagens publicadas como a citada anteriormente - NÃO.
A matéria, inclusive, sugeria uma reformulação para a pergunta: "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?" - o que, provavelmente, ganhou uma conotação de censura, de cerceamento do livre arbítrio de pessoas como Wellington Menezes de Oliveira.

O povo teve nas mãos a possibilidade de se defender de forma democrática e consciente.
Contudo, prevaleceu a lei do "olho por olho, dente por dente".
Eu nunca ouvi um caso entre cidadãos comuns, em que armas de fogo estivessem envolvidas, e o resultado tenha sido positivo.
Ao contrário, não nos faltam exemplos de acidentes com armas entre crianças brincando, adolescentes inconsequentes e disparos acidentais enquanto um adulto fazia sua limpeza.
A ideia de que alguém está seguro tendo uma arma de fogo em sua posse é um engano.
O perigo se potencializa.
A ideia de que os cidadãos devem se armar para combater a bandidagem é absurda.
A polícia existe para isso.
Sem a venda de armas, o combate ao seu contrabando poderia ser mais eficiente.
No entanto, de que adianta combater o tráfico de armas, se elas são vendidas em lojas?

O desserviço prestado pela revista Veja resume bem o papel da "imprensa" no processo de informação e formação de opinião.

A tragédia de hoje deve nos fazer pensar.
O assassino de hoje está morto.
Quantos potenciais assassinos estão vivos, com suas armas guardadas em casa?

E o que é pior: legalmente.

http://veja.abril.com.br/051005/p_076.html

Em nome de Deus



Triste demais para dizer qualquer coisa.
Assustador demais para tentar entender.

O que aconteceu, esta manhã, numa escola em Realengo, foge à minha capacidade de compreensão.
Estou "acostumada" a ouvir notícias deste tipo vindas de outros países - dos Estados Unidos, na maioria das vezes.
Aqui no Brasil, tão "acostumado" às balas perdidas, aos roubos, aos sequestros, massacres protagonizados por franco-atiradores não costumam ser notícia.
Hoje, foi diferente.
Hoje, um rapaz matou, aleatoriamente, 11 jovens e feriu outros 13.
Um bilhete deixado pelo assassino tem claras influências fanático-religiosas.
Ela menciona "pessoas impuras", "adultério", "Jesus" e "perdão".
Em seu texto, considera-se "casto e puro" e deve ser "banhado e envolto num lençol branco" em seu sepultamento.
O banho de sangue justifica-se em sua "inocente" alma lavada.
O fanatismo religioso apregoa a intolerância e justifica barbáries em nome de Deus.
O preconceito e a discriminação são suas bases sustentadoras.
Pecado é a palavra de ordem.

Há que se ter cuidado com o que se diz.
Há que se pensar antes de falar.
Há de se considerar as diferenças - e as igualdades - entre os homens antes de elevar a voz num discurso segregador.

A intolerância vem ganhando força entre nós.
Tratada como assunto "menor", pode resultar em tragédias como a de hoje em Realengo.

Não falam tanto em nome de Deus?
Onde se encaixa o mandamento "Amar ao próximo como a nós mesmos"?
E "Não usar o santo nome de Deus em vão"?
A Bíblia tem suas mensagens distorcidas e mal compreendidas.

Em nome de Deus, há séculos, homens justificam suas guerras.
Em nome de Deus, inocentes foram mortos.
Em nome de Deus, continua se pregando o ódio, a intolerância, o preconceito.

Agora, é tarde para as crianças mortas em Realengo.
Mas, para um futuro melhor, sempre é tempo.



terça-feira, 5 de abril de 2011

As certezas do caminho



Muitas dúvidas giravam em torno da candidata Dilma Rousseff.
Afinal de contas, quem era ela?
Qual sua história?
Uma palavra muito em voga nas eleições passadas, que parecia definir os candidatos nas categorias confiável e não-confiável: biografia.
Qual era a dela?
Guerillheira? Terrorista? Assassina? Subversiva?
Outras definições sobre sua pessoa surgiram de forma brilhante: "boneca de ventríloquo", "poste do Lula", "fantoche", e por aí vai.
Mas, como diz a canção: "Nada como um dia após o outro".
Dilma tem mostrado de maneira segura e cautelosa a que veio.
Veio dar continuidade ao que Lula começou.
Sim.
Mas do jeito dela.
Dilma sempre foi administradora.
Nunca foi política.
Por isso tanta desconfiança.
E, justamente por isso, mais motivo para confiarmos nela.
Não é mulher de conchavos. De toma lá da cá.
É de soluções.
Com discrição, trabalha diuturnamente em prol de construir um Brasil cada vez melhor.
Lula, com sua personalidade expansiva, foi fundamental para a guinada rumo à mudança.
Era mesmo necessário um líder sindical, acostumado a gritar sem microfone em pátios lotados, para impôr-se como Chefe de Estado capaz de garantir o estofo que tantas transformações necessitavam.
O barulho de Lula era fundamental para que a voz do Brasil fosse ouvida - e assimilada - pelos ouvidos do "estrangeiro".
E, como ele mesmo disse durante a campanha, Dilma estava mais preparada para seguir mudando.
Dilma é estrategista, sabe como mover as peças no tabuleiro do jogo de xadrez.
Sabe como e quando agir.
Tem segurança.
Tem cacife.

Quem é Dilma Rousseff?
Olhe à sua volta.
As respostas estão por todos os lados.
Dilma é a certeza de que o Brasil caminha no rumo certo.

Xeque-mate!


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quando o futuro do pretérito torna-se presente


Quem poderia imaginar que, um dia, o Brasil teria papel de peso numa eleição para presidente dos Estados Unidos?
Quem diria que um candidato - a reeleição - usaria as negociações com o Brasil como um diferencial em sua campanha?
Quem diria que o Brasil cresceria em 8 anos o que não cresceu em 500?
Quem diria que o Brasil teria possibilidades reais de erradicar a miséria a curto prazo?*
Quem diria que um operário seria mundialmente reconhecido como o melhor Presidente da História do Brasil?
Quem diria que, em 2011, teríamos uma mulher na Presidência?
Quem diria que nos tornaríamos uma potência mundialmente reconhecida e respeitada?
Quem diria que o Brasil é, de fato, o país do futuro?

Pois é.

*segundo estudos realizados pelo Ipea

Tecnologicamente rudimentar



Outro dia, observei por uns vinte minutos um rapaz que colocava pedras portuguesas na calçada.
Fazia calor. Um sol de rachar.
Ele, se equilibrando agachado - ora depositando seu peso sobre a perna esquerda, ora sobre a direita - ia cuidadosamente montando aquele quebra-cabeça com tanta agilidade que me entreteve por um longo espaço de tempo.
A rua estava movimentada.
Pessoas apressadas passavam por ele sem se darem conta do que acontecia ali.
Sequer o notavam.
E ele lá. Incansável.
Exercendo seu trabalho habilidosamente.
Peguei-me pensando em como o mundo evolui tão rapidamente e, ainda assim, assistia àquela atividade tão arcaica.
Por outro lado, senti um alento no peito ao constatar que, mesmo numa era de robôs quase humanos, o homem é insubstituível.
As máquinas podem cada vez mais.
Mas, nós, humanos, podemos tudo.

domingo, 3 de abril de 2011

Muito prazer, Presidente!



Completados 47 anos do Golpe Militar de 1964, percebi uma lacuna na minha vida escolar.
Sempre me considerei boa aluna de História. Sempre gostei da matéria.
Mas a História que me ensinaram não é exatamente a História que conheço agora.
Pesquisando para escrever aqui algo que fosse relevante em um dia tão marcado como 31 de março, deparei-me com um personagem até familiar, mas desconhecido.
Minha surpresa ao conhecê-lo de fato foi tão grande que decidi escrever sobre ele: Jango.
João Goulart foi um herói nacional.
João Goulart não teve seu verdadeiro valor reconhecido pela História.
Aliás, reformulando, só a História o reconhece. Nosso sistema educacional é que falhou no momento de falar dele para nós.
Foi o primeiro Presidente do Brasil a pensar no povo como parte integrante do país.
Homem rico, não precisava da política como "meio de vida".
Enveredou-se por ela por convicção. E vocação.
Assinou um decreto autorizando a reforma agrária. Assunto que ainda é tabu até os dias atuais.
Por este decreto, foi deposto.
Foi exilado.
Morreu sem voltar a pisar na terra que tanto amava.
Sua morte ainda não foi de todo esclarecida.
Fortes indícios levam à desconfiança de assassinato.
Destino cruel demais para um homem que olhou para o povo de seu país com olhos Humanos.
Um homem que não se rendeu à elite.
Um homem que não se rendeu ao jugo dos militares.

Um herói tratado como coadjuvante de sua própria História.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um aniversário que não se comemora


Em 13 de março de 1964, o Presidente João Goulart discursou para cerca de 150 mil pessoas, em frente à Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Em seu discurso, Jango defendeu a reforma da Constituição, que garantiria o direito de voto aos analfabetos, criticava seus opositores, aos quais dizia usarem "máscaras de democratas", que, com interesses escusos, estariam a favor de grandes companhias, contra o povo e as reformas de base propostas em seu governo.
Anunciou que assinara um decreto encampando refinarias privadas de petróleo e outro autorizando a desapropriação de terras ao longo de ferrovias e rodovias federais.
Jango defendia a reforma agrária, a reforma educacional, a reforma eleitoral, a reforma urbana e a reforma tributária.
Por seus opositores, encabeçados pelo governador da Guanabara, Carlos Lacerda, foi chamado de subversivo.
Os decretos assinados por João Goulart, recebidos ferozmente pelos conservadores, contribuíram para sua queda logo em seguida.
Devidamente revogados, os dois decretos foram a "sentença de morte" do Presidente Jango.
Em 31 de março de 1964, os militares decretaram o fim do Governo Civil e o início do Regime Militar, que mergulhou o Brasil nas mais profundas trevas por longos 21 anos.
Jango foi exilado e faleceu em 1976 em circunstâncias ainda suspeitas.
Nunca mais pisou no país que tanto amava.



quinta-feira, 31 de março de 2011

INtolerância



O que dizer diante de tanto preconceito?
O que dizer de alguém tão retrógrado e reacionário?
O que dizer de alguém tão obtuso?
O que dizer?

A mim, a perplexidade diante de tantos absurdos é tamanha, que quase me faltam palavras.

Assistir a um homem público, um deputado federal, como Jair Bolsonaro, na tv, em rede nacional, propagar palavras de ódio, discriminação e retrocesso evolutivo, é tão chocante que beira o inacreditável.
Um homem - se é que aqui se aplica este substantivo - que não se intimida ou sequer se inibe em escancarar, seja para a audiência que for, sua mente doente e contaminada de preconceito e agressividade.
É, de fato, terrível pensar que estamos "nas mãos" de sujeitos como este.
Do tipo maçã podre que contamina as outras sadias do cesto.
Contudo, pior do que ele, na minha opinião, são os eleitores que, há anos, vêm renovando o mandato de alguém que não acrescenta absolutamente nada de positivo ao Brasil.
Um homem que enaltece a ditadura e seus expoentes, como Médici e Geisel.

Neste momento, em que parece ter perdido as estribeiras de vez, Bolsonaro tem sido manchete nos programas de tv e em sites da internet e objeto de repúdio e petições de cassação.
Mas, o problema é mais profundo.
Este homem não se elegeu sozinho.
Pelo contrário, há anos, vem tendo o apoio de pessoas que pensam como ele e se vêem representadas em sua pessoa - mais uma vez, difícil usar este substantivo.
O momento é de não nos deixarmos tomar pelo ímpeto da vingança e expulsá-lo do Congresso simplesmente.
É preciso um amplo debate entre a sociedade para que o respeito e a tolerância subjuguem o preconceito.
Obviamente, não o considero apto a ocupar um cargo público, qualquer que seja. Mas, cassar seu mandato não resolverá a questão.
"Olho por olho, dente por dente" não é a solução. Nunca foi.
É difícil propor uma resposta, principalmente, que seja definitiva.
Acho que a imprensa tem papel fundamental neste debate, desde que aponte os erros de forma responsável e imparcial, não banalizando os fatos ou transformando as situações em chacota.
Acredito, também, que projetos de lei que transformem em crime qualquer tipo de discriminação engrossarão o coro contra pessoas como Bolsonaro, que se sentem à vontade para dizer atrocidades a quem quer que seja sem medo de retaliações.
O reconhecimento legal dos homossexuais, assim como as mulheres e os negros já foram reconhecidos, também agirão como fator decisivo em seu posicionamento perante a sociedade.
Tudo isso discutido à parte da religião ou dos "bons costumes".
O moralismo, aqui, age somente como mais um fator segregador.
Constitucionalmente, todos os homens - leia-se, aqui, seres humanos -, sem distinção de raça, gênero, credo, classe social - ou qualquer outro fator que nos distinga em grupos - são iguais perante a Lei.

Muito me admira que alguém que se diz tão cumpridor dos princípios morais, como Bolsonaro, desconheça princípios básicos da Constituição Brasileira:

De fato, um deputado federal que desconhece ou ignora os princípios constitucionais, não merece ocupar uma cadeira no Congresso.
Não merece entitular-se "representante do povo".

E, aos que o elegeram, cabe rever seus conceitos, fazer uma análise de consciência - se é que sabem o que isso significa - e colocarem-se em pé de igualdade com os que julgam inferiores.

Mais uma vez, falo aqui embasada pela Lei, pela Constituição.
Crenças e preceitos religiosos ou morais são outros quinhentos...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Um adendo imprescindível.



Não poderia falar de Lula sem comentar a respeito de sua não presença no almoço oferecido ao presidente americano Barack Obama.
Definitivamente, a ausência de Lula foi a presença mais marcante no encontro.
Muito se especulou a respeito.
Muita asneira se disse.
Houve quem comentasse: "Ele não foi pra não ofuscar a Dilma.".
Que ridículo!
Outros disseram: "Ele não foi porque tem ciúme do destaque que a imprensa* tem dado a Dilma.".
Alguns consideraram desmesura: "Nada surpreendente em se tratando de Lula.".
A mim, a explicação mais plausível é: C-A-R-Á-T-E-R.

Segundo o jornalista Luiz Nassif, no blog Brasilianas.org, durante a visita da secretária de estado, Hillary Clinton, ao Brasil, enquanto Lula era Presidente, um diplomata afirmou ao então Ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, que Obama só visitaria o Brasil, após Lula deixar o cargo.

E assim o fez.

Uma lacuna, ainda, é a omissão do presidente americano com relação à intermediação feita por Brasil e Turquia, negociada por Lula, junto ao presidente iraniano, Ahmadnejad, com relação ao programa nuclear do Irã.
O Brasil propôs um acordo e assumiu a frente das negociações, sobre a qual, Estados Unidos e aliados passaram por cima como um rolo compressor - o que, aliás, é de costume.

Por tudo isso, acredito eu, Lula não compareceu àquele almoço.
Por vaidade, como muitos esbravejaram?
Não. Ele é maior que a vaidade.
Por integridade.

Somente um homem de caráter e com princípios muito bem fundamentados é capaz de sobrepor sua integridade à vaidade.

*leia-se PIG

Reconhecimento mais que merecido



Apesar de saber o quão delicado é o assunto política, como criei aqui um espaço democrático e irrestrito, considero importante "pisar nesse chão devagarinho".
Fui avessa à política por longos anos.
Pensei que sempre seria.
Até o dia em que, num click - isso mesmo, no espaço de um suspiro -, compreendi que pode ser bom ler, conversar e pensar sobre política.
Como em todo setor, existem aqueles dos quais nos orgulhamos e aqueles dos quais nos envergonhamos.
Meu problema é que, mantendo-me voluntariamente alheia, nunca separei o joio do trigo.
Enfim, comecei a mudar.
E foi muito bom!
Melhor ainda, foi acordar em tempo de perceber o quanto meu homenageado de hoje fez por nós, brasileiros.
Antes de prosseguir, deixem-me apresentá-lo: Luiz Inácio Lula da Silva.
O operário que virou Presidente.
O homem do povo que mudou a vida do povo.
Um homem que fez mais pelo Brasil em oito anos do que todos os outros fizeram em quinhentos.
Tão respeitado mundo afora e tão massacrado em sua pátria - por uma minoria barulhenta.
Lula devolveu ao povo brasileiro o direito de sonhar, pois os sonhos, agora, podem se realizar.
Lá em Portugal - país que, na minha opinião, fez muito pouco por nós - está ele, acompanhado de sua sucessora e herdeira - outra grande figura - Dilma Rousseff, para receber duas honrarias: um prêmio por defender a democracia e o título de doutor honoris causa.
Sim. Ele mesmo. O retirante, torneiro mecânico, pobre, sem curso universitário.
Ele mesmo. Um Silva. Mais um. Dentre tantos.
Aquele que emergiu da miséria e da dificuldade de ser um cidadão pobre brasileiro.
E lutou.
Lutou.
E venceu.
Vencemos!
Obrigada, Lula!


sexta-feira, 18 de março de 2011

A Tragédia Humana x A Tragédia Natural



Seria possível algo pior que um terremoto de 8,9 pontos seguido de um tsunami que engoliu dezenas de cidades e matou milhares de pessoas?
Até 16 de julho de 1945 - quando aconteceu a primeira explosão de uma bomba nuclear num centro de testes secretos nos Estados Unidos (sem dúvida, o maior "benfeitor" da Humanidade), não, não seria.
Contudo, o que assistimos com horror no Japão hoje, é o maior legado da Segunda Grande Guerra.
O mesmo país devastado em agosto de 1945, por duas bombas nucleares lançadas pelo exército americano nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, matando mais de 200 mil pessoas, sofre o pesadelo de vazamentos nucleares na usina de Fukushima, abalada pelo desastre natural.
Apesar das negativas do governo japonês, a tragédia pinta-se muito maior do que "imagina a vã filosofia" dos cidadãos nipônicos.
Um povo, sabidamente, ordeiro e disciplinado aguarda instruções de autoridades especializadas em acobertar problemas em seus equipamentos nucleares (vide Wikileaks).
O fato é que, graças ao "desenvolvimento" tecnológico, o mundo padece hoje com o medo de uma possível catástrofe nuclear ainda maior que a de Chernobyl, em 1986.
Enquanto o governo japonês, preocupado com suas receitas (em primeiro plano) e em não alarmar o pânico entre seus cidadãos (em terceiro ou quarto plano), nega a gravidade da situação, nós aguardamos - e rezamos - que o pior não aconteça.

Em entrevista publicada na revista Carta Capital, Arnold Gundersen, ex-veterano da indústria nuclear, hoje professor de Física e Matemática em Kent, esclarece fatos ainda obscuros sobre o que, realmente, está acontecendo na usina nuclear de Fukushima.
Ao contrário do que afirma o governo japonês, ele acredita que a possibilidade de emissão de radioatividade em larga escala seja de 50%: "Temos três reatores envolvidos. Além disso, a radiação já está sendo captada por aviões a 150 quilômetros de distância e na cidade. Se for cada vez mais difícil controlar estas instalações, as tentativas de conter a contaminação irão falhar. Isso resultaria no lançamento rápido de enormes doses de radiação."
Entre outras explicações de Gundersen: "Em 90 dias, os riscos causados pela iodina radiativa desaparecerão, porque ela se desintegrará. Mas os isótopos mais nocivos – césio e estrôncio – durarão 30 anos. E são voláteis. No acidente de Three Mile Island, estrôncio foi detectado a 220 quilômetros do reator. Termina no leite das vacas e não desaparece por 300 anos. As emissões dos reatores japoneses vão durar um ano e conterão elementos que permanecerão na natureza por três séculos, no melhor dos casos. Se houver uma explosão, será muito pior."


Três séculos?!
Vale à pena arriscar a vida no planeta desta forma?
E falamos apenas em Japão.
Quantos outros países - inclusive o Brasil - possuem usinas nucleares?
Quantos outros milhões de pessoas correm o risco de um acidente nuclear das proporções - ou pior - do que o que se anuncia no país do Sol Nascente?
Quantas catástrofes ainda serão necessárias para que os governantes repensem os rumos da civilização?
Será que as receitas, os mercados, os negócios, valem mais do que o bem-estar da população?

Se o mundo acabar numa hecatombe sem precedentes, quem pagará a conta?



terça-feira, 15 de março de 2011

O Fenômeno BBB



Em sua - inacreditável - décima primeira edição, o Big Brother Brasil parece firmar-se como o maior desserviço prestado por um canal de tv aberto, na minha opinião.
Obviamente inspirado no livro "1984", do inglês George Orwell, que retrata um regime de governo totalitário e repressivo, numa sociedade oligárquica, onde o Grande Irmão observa os cidadãos através de câmeras atentas a qualquer desobediência, o BBB assemelha-se ao original de forma ainda mais contundente.
No livro, a história contada é a de um funcionário do governo, cuja vida não tem grande significado ou importância, designado a falsificar e alterar documentos públicos da literatura, de maneira que o governo pareça sempre correto em suas atitudes - ou seja, uma distorção da realidade.
No programa, alguns cidadãos comuns, muitas vezes - na maioria delas - inexpressivos e desinteressantes, prestam-se ao papel de fantoches do interesse da emissora sedenta por ibope e cifras.
Tendo cada passo registrado por várias câmeras espalhadas pela "grande gaiola", essas pessoas enfrentam provas humilhantes - que beiram à tortura física e psicológica muitas vezes -, conflitos, intrigas, brigas e festas etílicas, enchendo os olhos de seus observadores com o mais puro espetáculo da degradação humana.
Em casa, em frente à tv, os espectadores acreditam estar assistindo a um reality show, ou seja: a um show de realidade. Balela. Nada do que acontece ali pode ser considerado vida real. A não ser que estivéssemos ainda nos tempos do Império Romano, assistindo às barbáries no Coliseu - onde, espetáculos banhados em sangue mereciam os aplausos de uma plateia fervorosa.
O BBB é um reflexo do que há de mais sórdido e equivocado no ser humano. E enaltece isso.
Assim como o personagem Wisnton Smith distorcia a realidade para vangloriar um governo repressor e assassino, os participantes do Big Brother Brasil distorcem a realidade, transformando suas rotinas numa espécie de "novela da vida real", para enriquecer - ainda mais - uma instituição absolutamente despreocupada em cumprir seu papel - de veículo de comunicação - e emburrecer uma audiência cada vez mais carente de informação construtiva - que vem se acostumando à desinformação e ao mau gosto, por falta de opção.
Assim como em "1984", a transformação da realidade, vigiada pelo olho que tudo vê, massacra os cidadãos e camufla interesses escusos que, sob nenhum aspecto, têm o crescimento do povo como objetivo.
A tv aberta é um veículo de informação de massa. O maior de todos.
Presente na maioria dos lares no Brasil, deveria ter por princípio - senão por obrigação - a formação de opinião e a sedimentação dos Valores Culturais do país. No entanto, seu papel na sociedade vem se desvirtuando, a passos largos, sem levar em consideração os milhões de espectadores que tiram dali - às vezes, exclusivamente - suas informações e visões de mundo.
O papel da tv aberta - democraticamente disponível para todos - é muito sério.
Ou, pelo menos, deveria ser.


segunda-feira, 14 de março de 2011

A Tragédia Natural x A Tragédia Humana



Após morgar o almoço de domingo, estava eu a assistir o noticiário com a tv sem som.
A repórter falava sobre a tragédia no Japão.
Aquelas imagens horrorosas de destruição, penúria, sofrimento.
Em seguida, a notícia era sobre o disparate que vem acontecendo na Líbia.
Como eu apenas via, e não ouvia, aquelas imagens me pareceram tão absurdas.
A primeira sequência tratava de uma catástrofe natural. Absolutamente irremediável e destruidora.
A segunda, mostrava o quanto o ser humano pode ser estúpido e cruel.
Diante do terremoto e do tsunami no Japão, com dimensões avassaladoras, todo o resto parece tão pequeno.
Assistir, em tempo real, a um país ser engolido pelo mar é tão impressionante quanto desesperador.
Constatar o quanto somos vulneráveis e, por mais desenvolvido tecnologicamente ou rico, qualquer país perde para a força implacável da Natureza.
Ver tantas vidas interrompidas no tempo de um susto.
Tantas histórias apagadas pelas ondas, como um escrito qualquer na areia.
Enquanto, num outro canto, longe das tragédias naturais, um povo padece da tragédia humana.
Acho que nem Dante seria tão cruel quanto a estupidez humana real.
Uma amiga sempre diz: "A realidade é muito pior que a ficção."
De fato. Assim o é justamente por ser real.
O que Kadaf vem impondo ao seu povo - nestes últimos dias, de maneira mais incisiva e cruel - é tão absurdo, um despropósito.
Principalmente, quando percebemos o quanto somos ínfimos diante de uma tragédia como a que se deu no Japão.
Cito Kadaf por ser um assunto em voga. Mas não apenas ele.
Qualquer episódio que provenha da crueldade humana me parece surreal.
É claro que não sou tão ingênua a ponto de acreditar na harmonia absoluta entre os homens.
Os conflitos são necessários. Crescemos a partir deles.
Mas por que será que é tão difícil se dar conta de que a vida é nosso bem principal?
A mesma vida que vem, a cada dia, perdendo valor. Às vezes, até o sentido.
Sonho com o dia em que "cairemos na real".
Só espero que não seja tarde demais...

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Nascimento do Cisne - que, de tão humano, era negro



Já se passaram alguns dias desde meu último post.
Uma pausa que se fez necessária, mas que já passou.
Por isso, neste mundo louco em que vivemos hoje, onde a velocidade das notícias é alucinante, onde um segundo equivale a uma hora, uma hora a um dia, e um dia a uma semana, meu texto pode já parecer obsoleto...
Preciso falar um pouco sobre o pertubador filme "Cisne Negro". Se você ainda não assistiu, pare de ler agora, pois este é um filme do qual se pode falar muito pouco com quem ainda não teve a sorte de tê-lo visto.
Sem dúvida, um dos melhores e mais extasiantes filmes que já assisti - e não foram poucos.
A atuação de Natalie Portman é sublime. O roteiro é asfixiante. E a direção, poética.
Ainda estou digerindo o filme, que assisti há duas semanas.
Ouvi algumas pessoas se referirem a ele da seguinte forma: "Cisne Negro? Ah sei... Aquele da bailarina louca que faz de tudo pra conseguir o papel principal." Como assim? Não foi este o filme que eu assisti.
O filme que eu assisti contava a história de uma moça presa em si mesma. Uma artista talentosa sufocada pela frustração de uma mãe castradora. A luta interior de uma pessoa sufocada em sua incapacidade de transcender, de transpor o casulo no qual se enclausurou.
Ver aquela "doce menina" lutar com seus medos, seus fantasmas, suas angústias foi arrebatador. Perceber o quanto o ser humano pode ser cruel consigo mesmo, a ponto de cegar-se.
Ver a "doce menina" se transformar num belo cisne negro, cuja envergadura era tão imensa que não coube em si mesmo.
A cena em que ela retira o caco de espelho é reveladora. Ali, não há mais mais espaço para distorções, para alucinações, para castrações. Ali, tudo se esclarece de forma tão dolorida e tão sublime, ao mesmo tempo, que é impossível não sentir um nó no peito.
E, no suspiro final, a certeza de que viver é tão inusitado, tão raro e mágico, que a realidade e a ficção podem se confundir.
Há divergências sobre o que, de fato, se dá naquele momento. Mas, sinceramente, acho que esta é a menor questão do filme. Quem assiste ao "Cisne Negro" e termina apenas com a pergunta "ela morreu?" na cabeça, me desculpem, mas não entendeu o que aconteceu ali. Porque, morrendo ou não, ela renasceu e se transformou.
Um filme imperdível, não apenas por ser uma produção muito bem cuidada em termos técnicos.
Um filme imperdível em sua essência.
Assustadoramente humano. 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Discurso que a Plateia Pareceu não Compreender...

Ainda não consigo desenvolver meu raciocínio da melhor forma a respeito, pois o assunto é polêmico e extenso. Mas inicio a discussão.

Há três dias, fui assistir ao filme "O Discurso do Rei". Não é nenhuma obra-prima, mas o trabalho dos atores Colin Firth e Geoffrey Rush é sublime. E este segundo não está no rol dos meus atores favoritos... Colin Firth sempre me pareceu simpático e fazia papéis simpáticos. Até que lhe foi dada a chance de mostrar que é, de fato, um ótimo ator.
A cena em que o rei se prepara para o tão aguardado discurso, ao qual se refere o título, é sensacional. Na minha opinião, o ponto alto do filme.
A sala estava bastante cheia, o que me deixou surpresa. Apesar das indicações ao Oscar, não é nenhum blockbuster com grandes astros na linha de frente.
Talvez, justamente pela presença de um público tão grande e, com certeza, bastante heterogêneo, fiquei mais surpresa ainda com suas reações diante do filme.
O rei George VI era gago. Muitíssimo gago. E Colin Firth abordou esta gagueira de uma forma tão impressionantemente real que, em alguns momentos, senti falta de ar. As palavras eram como pedras gigantes a serem expelidas de sua garganta. Seu esforço para pronunciá-las era imenso.
Após inúmeros insucessos, o rei vai parar nas mãos de um heterodoxo terapeuta da fala interpretado por Geoffrey Rush.
O tratamento proposto é duro, árduo, difícil.
E o público parecia se divertir com isso...
As pessoas davam gargalhadas nos momentos mais tensos do filme.
Não sei se riam de nervoso ou se porque vão ao cinema com o propósito puro e simples de se divertirem...
Penso, contudo, que o público de uma forma geral acostumou-se - ou vem se acostumando - com uma espécie de banalização da Cultura. Não sei ao certo onde isto começa, mas consigo enxergar onde terminará.
Pode parecer uma discussão "existencial" - e o é de fato - mas as pessoas se tornam cada vez menos exigentes no que se refere à Arte de uma forma geral.
Vivemos numa Era em que um rolo de barbante enrolado no canto da tela em branco é considerado "arte conceitual".
A tal "Arte Contemporânea" é uma faca de dois gumes. Qualquer bobagem pode ser considerada uma obra-prima!
Por outro lado, existe um movimento de massificação da Cultura onde o que vale - literalmente - é o quanto vende. Aí, então, é que as exigências pela qualidade do conteúdo vão se tornando cada vez mais duvidosas...
Se cair no Youtube, pode saber que vai ser campeão de audiência - mesmo que pareça degradante ou desreipeitoso.
Acho que aqui entra a contribuição da internet. Que pode ser uma grande aliada, mas, na maioria da vezes, apenas banaliza - ou escandaliza.

Esta é uma discussão longa e, talvez, sem consenso. Muito tenho a questionar e opinar a respeito.

Voltarei a este assunto ainda outras vezes, provavelmente.

"O Discurso do Rei" é um filme correto, bem feito. O que o torna especial são as atuações de seus protagonistas. Dignas, ambas, de Oscar.




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Assim como Scarlet, "penso nisso amanhã"

Tenho um assunto atravessado na garganta desde ontem, mas preciso digeri-lo melhor antes de pronunciá-lo.
Quero encontrar as palavras certas para não soar da maneira errada.
Amanhã, acho que terei organizado meus pensamentos de forma a conseguir expressá-los em palavras escritas.
Escrever aqui é coisa séria...

Até amanhã, com a cabeça mais elucidada...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Mundo Mágico de Escher

Absolutamente genial!
Não se sabe onde começa, onde termina. Apenas se vê a transformação, a transgressão dos sentidos.
Sensacional! Imperdível!
Um artista muito além de seu tempo. Um visionário.
Como ele mesmo disse, é preciso instigar o espectador oferecendo-lhe a estranheza sobre o conhecido. A partir de parâmentros estabelecidos, os olhos e o cérebro devem se unir para entender o que parece desconhecido e indecifrável à primeira vista.
Escher nos faz pensar, nos faz enxergar de uma maneira desacostumada.
Um gênio!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

"O Povo Unido Jamais Será Vencido!"

Estará, finalmente, perdendo força a hegemonia americana que se impõe sobre o mundo há anos?
Caiu o "Muro de Berlim" na Arábia. Iniciou-se a "Queda da Bastilha" no Oriente Médio.
O Egito está livre - ou, pelo menos, caminha para isso.
Ontem, dia 11 de fevereiro de 2011, mais um acontecimento muda os rumos da História da Humanidade.
Seria justo, porém - voltando ao início deste texto - acusar a "Nação Mais Poderosa do Mundo"?
Há anos, temos visto a "grande potência" americana subjugar os países mais pobres. Com o irrestrito consentimento e apoio das "nações mais desenvolvidas", o governo estadunidense vem dando as cartas do jogo e ditando as regras. Há muito tempo. Tempo demais, eu diria.
Mais este acontecimento, aponta o início de um movimento inverso no mundo. Não o primeiro, mais um numa sequência, ao meu ver, desencadeada com a crise econômica de 2008. Aquela que nos fez perceber que nem "eles" são tão fortes quanto imaginávamos nem nós - e, aqui, nos coloco ao lado do Egito e de tantas outras nações massacradas e subjugadas - somos tão fracos como se supunha.
O "declínio do Império Americano", que arrastou ladeira abaixo, como uma avalanche, seus mais fiéis seguidores, tem provado a força do "Mundo Emergente".
O Brasil, por exemplo, vem se destacando como potência mundial, acompanhado de seus parceiros no BRIC.
No Oriente Médio, Israel - a "menina dos olhos" dos Estados Unidos - encontra-se numa posição cada vez mais delicada dentro daquele contexto.
Os dogmas religiosos do Islã ainda ditam muito severamente as regras por lá. Mas, inicia-se uma revolução de valores. A internet, através do Twitter e do Facebook, vem se transformando na grande arma da força revolucionária. O povo vai às ruas com pedras nas mãos, mas o verdadeiro ataque vem da retomada de consciência de nações privadas da liberdade de pensamento há décadas.
Por tudo isso, acredito que esta transformação virá da renovação do pensamento, da renovação dos conceitos, da retomada dos Direitos Humanos.
A fé islâmica/muçulmana, calcada em preceitos tão violentos e severos, sempre foi a arma mais poderosa nas mãos dos ditadores e sempre teve - apesar de um discurso moralista que insistia em dizer o contrário - o aval das "grandes nações" ocidentais, desde, é claro, que seus interesses econômicos permanecessem preservados.
Agora, através desta nova força que insurge do povo, não é mais possível aceitar que a barbárie se sobreponha às possibilidades de crescimento e evolução destes países. Apedrejamento por adultério, amputação das mãos por roubos, e tantas outras punições desumanas não combinam com o renascimento de um povo dominado e privado de consciência por tantos anos.
Acredito que as mudanças irão além do campo político/econômico. Serão HUMANAS. Pois, Humanidade é o que vem sendo extirpado deste povo há tanto tempo.

Quando uma nação toma consciência do seu valor e percebe que a união de seus desejos e suas forças podem mudar sua História, a retomada da cidadania acontece e a transformação é inevitável.

É um processo lindo de se ver. Agradeço por estar vivenciando momentos que estão mudando os rumos da nossa História.

Viva o Egito! Viva a união de um povo! Viva a retomada de Consciência!


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Interlúdio

De tanto anseio, de tanto medo, de tanto pranto, restou a vontade.
Da vontade, cresceu o desejo.
Do desejo, veio a busca.
Da busca, o encontro.
Do encontro, eu mesma.

Elucubrações....

O Divino Encanto do Mistério da Vida

No espaço de sete dias, perdi dois amigos queridos. Duas pessoas jovens, talentosas e com a vida pela pela frente. E a dor destas saudades me tem feito repensar um monte de coisas.
A morte, principalmente quando é precoce, nos faz constatar, ainda mais claramente, o quanto a vida é efêmera e rara.
Percebo, absolutamente, que diante da morte tudo é ínfimo. Qualquer problema se torna infinitamente ridículo, minúsculo.
Tudo é passível de mudança. Menos a morte.
E é assim para os que por aqui ficam. Aos que se retiram, muitas outras possibilidades desconhecidas. A nós, os que seguem vivendo, resta a possibilidade de transformação.
Tenho me lamentado muito ultimamente. Tenho sido bastante incisiva e intolerante neste aspecto.
Hoje, sinto vergonha. De mim mesma. Das reclamações. Dos problemas aumentados. Supervalorizados.
Da pessoa mais querida, ouvi: "É preciso viver com mais bom humor. Nunca realizarei todos os meus sonhos, ninguém nunca realizará. Mas, se vivermos com bom humor, teremos tido uma existência mais feliz."
É isso. Simples assim. Precisamos agradecer a dádiva de estarmos vivos.
Não temos prazo de validade. Não sabemos quanto tempo temos por aqui. Não há um roteiro programado. Por isso, a importância de se aproveitar cada segundo.
E, com isso, não quero dizer que seja necessário praticar esportes radicais todos os dias. Ou sair por aí fazendo loucuras. Basta agradecer. Regozijar o presente de mais um dia.
Cercar-se de quem se gosta e fazer com que estas pessoas saibam disso.
A vida é bastante simples. Somos nós quem a complicamos.
Esperamos sempre um grande acontecimento, sem nos darmos conta de que estarmos vivos é o maior acontecimento de todos.
A partir daí, a partir de nós, tudo é possível. Sem ilusões, sem milagres, sem demagogia.
As possibilidades existem dentro de nós. Realizar depende, apenas, da vontade e do empenho.
O importante é ter consciência do valor da vida, o que significa. E saber tirar dela o que nos é dado de graça: a alegria.
Quando somos crianças, a alegria está lá, inerente. À medida em que crescemos, ela vai sendo substituída por sentimentos como a angústia, a insatisfação, a frustação, a raiva. Tudo isso estabelecido pela nossa vontade do impossível, do inatingível.
Para ser feliz, essencialmente feliz, é preciso muito pouco.
Mas para a felicidade efêmera, volátil, é preciso muito. Muito esforço, muita ilusão, muitos enganos.
Esta semana triste me fez transformar meu sentimento. Hoje, escolho ser feliz. Hoje, escolho a simplicidade. Hoje, agradeço cada segundo como uma dádiva de fato.
O que vier daqui pra frente será bem-vindo. Sem demagogia, sem pieguice, sem vergonha, hoje eu digo que estar viva é, de verdade, o maior presente que eu poderia ter recebido.

Gostaria que meu primeiro post não tivesse abordado a morte. Por outro lado, talvez seja bom iniciar o blog conjecturando sobre a dádiva de se estar vivo.

Afinal, tudo que transcorrerá aqui terá relação direta e estará intrinsecamente fundamentado neste incrível e absolutamente imprevisível DIVINO ENCANTO DO MISTÉRIO DA VIDA.

Bem-vindos! Até o próximo post...