A revista Veja deu sua contribuição para que tragédias como a que aconteceu hoje, em Realengo, sejam uma ameaça iminente a todos nós.
Na edição n° 1925, que saiu dia 05 de outubro de 2005, a revista Veja trouxe em sua capa: "Referendo das armas: 7 razões para votar NÃO - A proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos".
Em meu post anterior, quando me referi ao papel da imprensa na conscientização da população, quis dizer exatamente o oposto do que fez a Veja num momento que poderia ter sido positivamente decisivo para os cidadãos brasileiros.
A pergunta do referendo era a seguinte:
"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
Segundo a revista Veja e a maioria da população - orientada por reportagens publicadas como a citada anteriormente - NÃO.
A matéria, inclusive, sugeria uma reformulação para a pergunta: "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?" - o que, provavelmente, ganhou uma conotação de censura, de cerceamento do livre arbítrio de pessoas como Wellington Menezes de Oliveira.
O povo teve nas mãos a possibilidade de se defender de forma democrática e consciente.
Contudo, prevaleceu a lei do "olho por olho, dente por dente".
Eu nunca ouvi um caso entre cidadãos comuns, em que armas de fogo estivessem envolvidas, e o resultado tenha sido positivo.
Ao contrário, não nos faltam exemplos de acidentes com armas entre crianças brincando, adolescentes inconsequentes e disparos acidentais enquanto um adulto fazia sua limpeza.
A ideia de que alguém está seguro tendo uma arma de fogo em sua posse é um engano.
O perigo se potencializa.
A ideia de que os cidadãos devem se armar para combater a bandidagem é absurda.
A polícia existe para isso.
Sem a venda de armas, o combate ao seu contrabando poderia ser mais eficiente.
No entanto, de que adianta combater o tráfico de armas, se elas são vendidas em lojas?
O desserviço prestado pela revista Veja resume bem o papel da "imprensa" no processo de informação e formação de opinião.
A tragédia de hoje deve nos fazer pensar.
O assassino de hoje está morto.
Quantos potenciais assassinos estão vivos, com suas armas guardadas em casa?
E o que é pior: legalmente.
http://veja.abril.com.br/051005/p_076.html

