Já se passaram alguns dias desde meu último post.
Uma pausa que se fez necessária, mas que já passou.
Por isso, neste mundo louco em que vivemos hoje, onde a velocidade das notícias é alucinante, onde um segundo equivale a uma hora, uma hora a um dia, e um dia a uma semana, meu texto pode já parecer obsoleto...
Preciso falar um pouco sobre o pertubador filme "Cisne Negro". Se você ainda não assistiu, pare de ler agora, pois este é um filme do qual se pode falar muito pouco com quem ainda não teve a sorte de tê-lo visto.
Sem dúvida, um dos melhores e mais extasiantes filmes que já assisti - e não foram poucos.
A atuação de Natalie Portman é sublime. O roteiro é asfixiante. E a direção, poética.
Ainda estou digerindo o filme, que assisti há duas semanas.
Ouvi algumas pessoas se referirem a ele da seguinte forma: "Cisne Negro? Ah sei... Aquele da bailarina louca que faz de tudo pra conseguir o papel principal." Como assim? Não foi este o filme que eu assisti.
O filme que eu assisti contava a história de uma moça presa em si mesma. Uma artista talentosa sufocada pela frustração de uma mãe castradora. A luta interior de uma pessoa sufocada em sua incapacidade de transcender, de transpor o casulo no qual se enclausurou.
Ver aquela "doce menina" lutar com seus medos, seus fantasmas, suas angústias foi arrebatador. Perceber o quanto o ser humano pode ser cruel consigo mesmo, a ponto de cegar-se.
Ver a "doce menina" se transformar num belo cisne negro, cuja envergadura era tão imensa que não coube em si mesmo.
A cena em que ela retira o caco de espelho é reveladora. Ali, não há mais mais espaço para distorções, para alucinações, para castrações. Ali, tudo se esclarece de forma tão dolorida e tão sublime, ao mesmo tempo, que é impossível não sentir um nó no peito.
E, no suspiro final, a certeza de que viver é tão inusitado, tão raro e mágico, que a realidade e a ficção podem se confundir.
Há divergências sobre o que, de fato, se dá naquele momento. Mas, sinceramente, acho que esta é a menor questão do filme. Quem assiste ao "Cisne Negro" e termina apenas com a pergunta "ela morreu?" na cabeça, me desculpem, mas não entendeu o que aconteceu ali. Porque, morrendo ou não, ela renasceu e se transformou.
Um filme imperdível, não apenas por ser uma produção muito bem cuidada em termos técnicos.
Um filme imperdível em sua essência.
Assustadoramente humano.
