sexta-feira, 11 de março de 2011

O Nascimento do Cisne - que, de tão humano, era negro



Já se passaram alguns dias desde meu último post.
Uma pausa que se fez necessária, mas que já passou.
Por isso, neste mundo louco em que vivemos hoje, onde a velocidade das notícias é alucinante, onde um segundo equivale a uma hora, uma hora a um dia, e um dia a uma semana, meu texto pode já parecer obsoleto...
Preciso falar um pouco sobre o pertubador filme "Cisne Negro". Se você ainda não assistiu, pare de ler agora, pois este é um filme do qual se pode falar muito pouco com quem ainda não teve a sorte de tê-lo visto.
Sem dúvida, um dos melhores e mais extasiantes filmes que já assisti - e não foram poucos.
A atuação de Natalie Portman é sublime. O roteiro é asfixiante. E a direção, poética.
Ainda estou digerindo o filme, que assisti há duas semanas.
Ouvi algumas pessoas se referirem a ele da seguinte forma: "Cisne Negro? Ah sei... Aquele da bailarina louca que faz de tudo pra conseguir o papel principal." Como assim? Não foi este o filme que eu assisti.
O filme que eu assisti contava a história de uma moça presa em si mesma. Uma artista talentosa sufocada pela frustração de uma mãe castradora. A luta interior de uma pessoa sufocada em sua incapacidade de transcender, de transpor o casulo no qual se enclausurou.
Ver aquela "doce menina" lutar com seus medos, seus fantasmas, suas angústias foi arrebatador. Perceber o quanto o ser humano pode ser cruel consigo mesmo, a ponto de cegar-se.
Ver a "doce menina" se transformar num belo cisne negro, cuja envergadura era tão imensa que não coube em si mesmo.
A cena em que ela retira o caco de espelho é reveladora. Ali, não há mais mais espaço para distorções, para alucinações, para castrações. Ali, tudo se esclarece de forma tão dolorida e tão sublime, ao mesmo tempo, que é impossível não sentir um nó no peito.
E, no suspiro final, a certeza de que viver é tão inusitado, tão raro e mágico, que a realidade e a ficção podem se confundir.
Há divergências sobre o que, de fato, se dá naquele momento. Mas, sinceramente, acho que esta é a menor questão do filme. Quem assiste ao "Cisne Negro" e termina apenas com a pergunta "ela morreu?" na cabeça, me desculpem, mas não entendeu o que aconteceu ali. Porque, morrendo ou não, ela renasceu e se transformou.
Um filme imperdível, não apenas por ser uma produção muito bem cuidada em termos técnicos.
Um filme imperdível em sua essência.
Assustadoramente humano.