Triste demais para dizer qualquer coisa.
Assustador demais para tentar entender.
O que aconteceu, esta manhã, numa escola em Realengo, foge à minha capacidade de compreensão.
Estou "acostumada" a ouvir notícias deste tipo vindas de outros países - dos Estados Unidos, na maioria das vezes.
Aqui no Brasil, tão "acostumado" às balas perdidas, aos roubos, aos sequestros, massacres protagonizados por franco-atiradores não costumam ser notícia.
Hoje, foi diferente.
Hoje, um rapaz matou, aleatoriamente, 11 jovens e feriu outros 13.
Um bilhete deixado pelo assassino tem claras influências fanático-religiosas.
Ela menciona "pessoas impuras", "adultério", "Jesus" e "perdão".
Em seu texto, considera-se "casto e puro" e deve ser "banhado e envolto num lençol branco" em seu sepultamento.
O banho de sangue justifica-se em sua "inocente" alma lavada.
O fanatismo religioso apregoa a intolerância e justifica barbáries em nome de Deus.
O preconceito e a discriminação são suas bases sustentadoras.
Pecado é a palavra de ordem.
Há que se ter cuidado com o que se diz.
Há que se pensar antes de falar.
Há de se considerar as diferenças - e as igualdades - entre os homens antes de elevar a voz num discurso segregador.
A intolerância vem ganhando força entre nós.
Tratada como assunto "menor", pode resultar em tragédias como a de hoje em Realengo.
Não falam tanto em nome de Deus?
Onde se encaixa o mandamento "Amar ao próximo como a nós mesmos"?
E "Não usar o santo nome de Deus em vão"?
A Bíblia tem suas mensagens distorcidas e mal compreendidas.
Em nome de Deus, há séculos, homens justificam suas guerras.
Em nome de Deus, inocentes foram mortos.
Em nome de Deus, continua se pregando o ódio, a intolerância, o preconceito.
Agora, é tarde para as crianças mortas em Realengo.
Mas, para um futuro melhor, sempre é tempo.

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