sexta-feira, 18 de março de 2011

A Tragédia Humana x A Tragédia Natural



Seria possível algo pior que um terremoto de 8,9 pontos seguido de um tsunami que engoliu dezenas de cidades e matou milhares de pessoas?
Até 16 de julho de 1945 - quando aconteceu a primeira explosão de uma bomba nuclear num centro de testes secretos nos Estados Unidos (sem dúvida, o maior "benfeitor" da Humanidade), não, não seria.
Contudo, o que assistimos com horror no Japão hoje, é o maior legado da Segunda Grande Guerra.
O mesmo país devastado em agosto de 1945, por duas bombas nucleares lançadas pelo exército americano nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, matando mais de 200 mil pessoas, sofre o pesadelo de vazamentos nucleares na usina de Fukushima, abalada pelo desastre natural.
Apesar das negativas do governo japonês, a tragédia pinta-se muito maior do que "imagina a vã filosofia" dos cidadãos nipônicos.
Um povo, sabidamente, ordeiro e disciplinado aguarda instruções de autoridades especializadas em acobertar problemas em seus equipamentos nucleares (vide Wikileaks).
O fato é que, graças ao "desenvolvimento" tecnológico, o mundo padece hoje com o medo de uma possível catástrofe nuclear ainda maior que a de Chernobyl, em 1986.
Enquanto o governo japonês, preocupado com suas receitas (em primeiro plano) e em não alarmar o pânico entre seus cidadãos (em terceiro ou quarto plano), nega a gravidade da situação, nós aguardamos - e rezamos - que o pior não aconteça.

Em entrevista publicada na revista Carta Capital, Arnold Gundersen, ex-veterano da indústria nuclear, hoje professor de Física e Matemática em Kent, esclarece fatos ainda obscuros sobre o que, realmente, está acontecendo na usina nuclear de Fukushima.
Ao contrário do que afirma o governo japonês, ele acredita que a possibilidade de emissão de radioatividade em larga escala seja de 50%: "Temos três reatores envolvidos. Além disso, a radiação já está sendo captada por aviões a 150 quilômetros de distância e na cidade. Se for cada vez mais difícil controlar estas instalações, as tentativas de conter a contaminação irão falhar. Isso resultaria no lançamento rápido de enormes doses de radiação."
Entre outras explicações de Gundersen: "Em 90 dias, os riscos causados pela iodina radiativa desaparecerão, porque ela se desintegrará. Mas os isótopos mais nocivos – césio e estrôncio – durarão 30 anos. E são voláteis. No acidente de Three Mile Island, estrôncio foi detectado a 220 quilômetros do reator. Termina no leite das vacas e não desaparece por 300 anos. As emissões dos reatores japoneses vão durar um ano e conterão elementos que permanecerão na natureza por três séculos, no melhor dos casos. Se houver uma explosão, será muito pior."


Três séculos?!
Vale à pena arriscar a vida no planeta desta forma?
E falamos apenas em Japão.
Quantos outros países - inclusive o Brasil - possuem usinas nucleares?
Quantos outros milhões de pessoas correm o risco de um acidente nuclear das proporções - ou pior - do que o que se anuncia no país do Sol Nascente?
Quantas catástrofes ainda serão necessárias para que os governantes repensem os rumos da civilização?
Será que as receitas, os mercados, os negócios, valem mais do que o bem-estar da população?

Se o mundo acabar numa hecatombe sem precedentes, quem pagará a conta?



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