Após morgar o almoço de domingo, estava eu a assistir o noticiário com a tv sem som.
A repórter falava sobre a tragédia no Japão.
Aquelas imagens horrorosas de destruição, penúria, sofrimento.
Em seguida, a notícia era sobre o disparate que vem acontecendo na Líbia.
Como eu apenas via, e não ouvia, aquelas imagens me pareceram tão absurdas.
A primeira sequência tratava de uma catástrofe natural. Absolutamente irremediável e destruidora.
A segunda, mostrava o quanto o ser humano pode ser estúpido e cruel.
Diante do terremoto e do tsunami no Japão, com dimensões avassaladoras, todo o resto parece tão pequeno.
Assistir, em tempo real, a um país ser engolido pelo mar é tão impressionante quanto desesperador.
Constatar o quanto somos vulneráveis e, por mais desenvolvido tecnologicamente ou rico, qualquer país perde para a força implacável da Natureza.
Ver tantas vidas interrompidas no tempo de um susto.
Tantas histórias apagadas pelas ondas, como um escrito qualquer na areia.
Enquanto, num outro canto, longe das tragédias naturais, um povo padece da tragédia humana.
Acho que nem Dante seria tão cruel quanto a estupidez humana real.
Uma amiga sempre diz: "A realidade é muito pior que a ficção."
De fato. Assim o é justamente por ser real.
O que Kadaf vem impondo ao seu povo - nestes últimos dias, de maneira mais incisiva e cruel - é tão absurdo, um despropósito.
Principalmente, quando percebemos o quanto somos ínfimos diante de uma tragédia como a que se deu no Japão.
Cito Kadaf por ser um assunto em voga. Mas não apenas ele.
Qualquer episódio que provenha da crueldade humana me parece surreal.
É claro que não sou tão ingênua a ponto de acreditar na harmonia absoluta entre os homens.
Os conflitos são necessários. Crescemos a partir deles.
Mas por que será que é tão difícil se dar conta de que a vida é nosso bem principal?
A mesma vida que vem, a cada dia, perdendo valor. Às vezes, até o sentido.
Sonho com o dia em que "cairemos na real".
Só espero que não seja tarde demais...

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