sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Divino Encanto do Mistério da Vida

No espaço de sete dias, perdi dois amigos queridos. Duas pessoas jovens, talentosas e com a vida pela pela frente. E a dor destas saudades me tem feito repensar um monte de coisas.
A morte, principalmente quando é precoce, nos faz constatar, ainda mais claramente, o quanto a vida é efêmera e rara.
Percebo, absolutamente, que diante da morte tudo é ínfimo. Qualquer problema se torna infinitamente ridículo, minúsculo.
Tudo é passível de mudança. Menos a morte.
E é assim para os que por aqui ficam. Aos que se retiram, muitas outras possibilidades desconhecidas. A nós, os que seguem vivendo, resta a possibilidade de transformação.
Tenho me lamentado muito ultimamente. Tenho sido bastante incisiva e intolerante neste aspecto.
Hoje, sinto vergonha. De mim mesma. Das reclamações. Dos problemas aumentados. Supervalorizados.
Da pessoa mais querida, ouvi: "É preciso viver com mais bom humor. Nunca realizarei todos os meus sonhos, ninguém nunca realizará. Mas, se vivermos com bom humor, teremos tido uma existência mais feliz."
É isso. Simples assim. Precisamos agradecer a dádiva de estarmos vivos.
Não temos prazo de validade. Não sabemos quanto tempo temos por aqui. Não há um roteiro programado. Por isso, a importância de se aproveitar cada segundo.
E, com isso, não quero dizer que seja necessário praticar esportes radicais todos os dias. Ou sair por aí fazendo loucuras. Basta agradecer. Regozijar o presente de mais um dia.
Cercar-se de quem se gosta e fazer com que estas pessoas saibam disso.
A vida é bastante simples. Somos nós quem a complicamos.
Esperamos sempre um grande acontecimento, sem nos darmos conta de que estarmos vivos é o maior acontecimento de todos.
A partir daí, a partir de nós, tudo é possível. Sem ilusões, sem milagres, sem demagogia.
As possibilidades existem dentro de nós. Realizar depende, apenas, da vontade e do empenho.
O importante é ter consciência do valor da vida, o que significa. E saber tirar dela o que nos é dado de graça: a alegria.
Quando somos crianças, a alegria está lá, inerente. À medida em que crescemos, ela vai sendo substituída por sentimentos como a angústia, a insatisfação, a frustação, a raiva. Tudo isso estabelecido pela nossa vontade do impossível, do inatingível.
Para ser feliz, essencialmente feliz, é preciso muito pouco.
Mas para a felicidade efêmera, volátil, é preciso muito. Muito esforço, muita ilusão, muitos enganos.
Esta semana triste me fez transformar meu sentimento. Hoje, escolho ser feliz. Hoje, escolho a simplicidade. Hoje, agradeço cada segundo como uma dádiva de fato.
O que vier daqui pra frente será bem-vindo. Sem demagogia, sem pieguice, sem vergonha, hoje eu digo que estar viva é, de verdade, o maior presente que eu poderia ter recebido.

Gostaria que meu primeiro post não tivesse abordado a morte. Por outro lado, talvez seja bom iniciar o blog conjecturando sobre a dádiva de se estar vivo.

Afinal, tudo que transcorrerá aqui terá relação direta e estará intrinsecamente fundamentado neste incrível e absolutamente imprevisível DIVINO ENCANTO DO MISTÉRIO DA VIDA.

Bem-vindos! Até o próximo post...

Um comentário:

  1. É Carlota esta coisa de morte é sempre estranha... Ela faz parte da nossa vida mas sempre é difícil aceitá-la e entendê-la. O que vale é tentar viver melhor enquanto estamos aqui. Concordo com suas colocações.
    Adorei o post. Hoje estava lendo o blog da Cris e estou adorando o fato das minhas amigas estarem escrevendo. É sempre bom compartilhar pensamentos e experiências! Sucesso no blog!
    Bjs
    Silvilu

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