sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Discurso que a Plateia Pareceu não Compreender...

Ainda não consigo desenvolver meu raciocínio da melhor forma a respeito, pois o assunto é polêmico e extenso. Mas inicio a discussão.

Há três dias, fui assistir ao filme "O Discurso do Rei". Não é nenhuma obra-prima, mas o trabalho dos atores Colin Firth e Geoffrey Rush é sublime. E este segundo não está no rol dos meus atores favoritos... Colin Firth sempre me pareceu simpático e fazia papéis simpáticos. Até que lhe foi dada a chance de mostrar que é, de fato, um ótimo ator.
A cena em que o rei se prepara para o tão aguardado discurso, ao qual se refere o título, é sensacional. Na minha opinião, o ponto alto do filme.
A sala estava bastante cheia, o que me deixou surpresa. Apesar das indicações ao Oscar, não é nenhum blockbuster com grandes astros na linha de frente.
Talvez, justamente pela presença de um público tão grande e, com certeza, bastante heterogêneo, fiquei mais surpresa ainda com suas reações diante do filme.
O rei George VI era gago. Muitíssimo gago. E Colin Firth abordou esta gagueira de uma forma tão impressionantemente real que, em alguns momentos, senti falta de ar. As palavras eram como pedras gigantes a serem expelidas de sua garganta. Seu esforço para pronunciá-las era imenso.
Após inúmeros insucessos, o rei vai parar nas mãos de um heterodoxo terapeuta da fala interpretado por Geoffrey Rush.
O tratamento proposto é duro, árduo, difícil.
E o público parecia se divertir com isso...
As pessoas davam gargalhadas nos momentos mais tensos do filme.
Não sei se riam de nervoso ou se porque vão ao cinema com o propósito puro e simples de se divertirem...
Penso, contudo, que o público de uma forma geral acostumou-se - ou vem se acostumando - com uma espécie de banalização da Cultura. Não sei ao certo onde isto começa, mas consigo enxergar onde terminará.
Pode parecer uma discussão "existencial" - e o é de fato - mas as pessoas se tornam cada vez menos exigentes no que se refere à Arte de uma forma geral.
Vivemos numa Era em que um rolo de barbante enrolado no canto da tela em branco é considerado "arte conceitual".
A tal "Arte Contemporânea" é uma faca de dois gumes. Qualquer bobagem pode ser considerada uma obra-prima!
Por outro lado, existe um movimento de massificação da Cultura onde o que vale - literalmente - é o quanto vende. Aí, então, é que as exigências pela qualidade do conteúdo vão se tornando cada vez mais duvidosas...
Se cair no Youtube, pode saber que vai ser campeão de audiência - mesmo que pareça degradante ou desreipeitoso.
Acho que aqui entra a contribuição da internet. Que pode ser uma grande aliada, mas, na maioria da vezes, apenas banaliza - ou escandaliza.

Esta é uma discussão longa e, talvez, sem consenso. Muito tenho a questionar e opinar a respeito.

Voltarei a este assunto ainda outras vezes, provavelmente.

"O Discurso do Rei" é um filme correto, bem feito. O que o torna especial são as atuações de seus protagonistas. Dignas, ambas, de Oscar.




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